“A produção industrial cresceu apenas 0,3% na passagem de fevereiro para março, após alta de 0,7% no mês anterior. Na comparação com 2021, o setor acumula queda de 4,5% no primeiro trimestre de 2022, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE. O acumulado nos últimos 12 meses chegou a 1,8%. Em março, a produção industrial ficou 2,1% abaixo do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020.
O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) classificou o resultado como, “no mínimo, anêmico”.
André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, explica que os fatores que dificultam uma retomada da indústria ainda permanecem. As plantas industriais ainda percebem o aumento do custo de produção e refletem a escassez de algumas matérias-primas. “Além disso, a inflação vem diminuindo a renda disponível e os juros sobem e encarecem o crédito. Também o mercado do trabalho, que apresenta alguma melhora, ainda mostra índices como uma massa de rendimentos que não avança”, lembra o Macedo.
“A bem da verdade, o setor nunca chegou a se recuperar integralmente do tombo levado da crise de 2015–2016, que fora agravado pela pandemia e seus desdobramentos”, ressalta o Iedi. “Tanto é assim que o nível de produção em março de 2022 está nada menos do que 15% abaixo do que era em março de 2014.
Entre os macrossetores, a maior defasagem em relação ao nível de produção de 8 anos atrás era a de bens de consumo duráveis: -36,1%. Os demais macrossetores industriais também estão no vermelho, inclusive bens de capital que, a despeito de algum avanço após o choque da pandemia, seguiram 12% aquém de março de 2014.
Nada menos que 73% dos 26 ramos acompanhados pelo IBGE tem quedas de dois dígitos frente a março de 2014. E também é largamente majoritária a participação dos ramos que ficaram no vermelho no acumulado do primeiro trimestre de 2022, pontua o Iedi: 80%, sinalizando que os últimos sinais não  são muito promissores.

Fonte: Monitor