Com foco em produtividade, sustentabilidade e redução de desperdícios, sistemas como drywall, steel frame e wood frame ampliam oportunidades na construção civil e reforçam a importância da qualificação profissional.

A busca por obras mais rápidas, eficientes e sustentáveis está impulsionando a adoção de métodos construtivos industrializados no Brasil. Entre as alternativas que ganham espaço no mercado, a construção a seco se destaca por substituir parte dos processos tradicionais por sistemas de montagem que utilizam componentes pré-fabricados, proporcionando maior controle sobre a execução dos projetos.

Tecnologias como drywall, steel frame e wood frame vêm conquistando espaço em empreendimentos residenciais, comerciais e industriais. Além de contribuírem para a redução de resíduos nos canteiros, esses sistemas oferecem maior previsibilidade de custos e prazos, fatores cada vez mais relevantes para a competitividade das construtoras.

O movimento acompanha a expansão da construção industrializada no país. Segundo levantamento divulgado em setembro de 2026 pelo Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), a produção nacional de estruturas metálicas em 2025 foi 34,1% superior à registrada em 2020.

O estudo também revelou que o segmento de estruturas metálicas alcançou faturamento bruto de R$ 12,3 bilhões em 2025. Apesar da relativa estabilidade da produção em comparação com o levantamento anterior, 83,6% dos fabricantes consultados demonstraram expectativas de crescimento para 2026.

Embora os números contemplem diferentes aplicações de estruturas metálicas, eles evidenciam a relevância dos sistemas industrializados para o desenvolvimento da construção brasileira.

Produtividade e sustentabilidade impulsionam mudanças

Uma das principais vantagens da construção a seco está na racionalização dos processos. Como boa parte dos componentes chega ao canteiro pronta para instalação, é possível reduzir determinadas etapas de execução, melhorar a organização dos espaços e diminuir o desperdício de materiais.

No drywall, por exemplo, placas de gesso são instaladas sobre perfis metálicos, principalmente na execução de paredes internas e forros. Já o steel frame utiliza estruturas leves de aço galvanizado, enquanto o wood frame emprega elementos estruturais de madeira tratada.

Essas tecnologias apresentam características específicas e exigem planejamento adequado, mas compartilham a proposta de tornar a construção mais eficiente, com maior padronização e menor dependência de processos realizados diretamente no canteiro.

Em entrevista divulgada pela agência DINO, em 19 de outubro, Rafael Bernardi, gerente de marketing do Âncora Group, destacou que o interesse por esses métodos está associado à necessidade de aumentar a produtividade e proporcionar maior previsibilidade às obras.

Segundo o executivo, a preocupação com o aproveitamento dos materiais e a redução dos impactos ambientais também tem contribuído para ampliar a aceitação desses sistemas entre engenheiros, arquitetos e construtoras.

Precisão técnica ganha importância nos projetos

A expansão da construção a seco também traz novas exigências para fornecedores e profissionais do setor.

Diferentemente de determinados processos convencionais, os sistemas industrializados dependem de componentes específicos, cuja correta instalação influencia diretamente a estabilidade, a durabilidade e a segurança das estruturas.

Nesse cenário, elementos como parafusos, chumbadores, conectores e sistemas de fixação passam a desempenhar papel fundamental na qualidade das edificações.

A escolha inadequada desses materiais pode provocar movimentações indesejadas, fissuras e comprometimento do desempenho dos conjuntos construtivos.

Para atender a essa demanda, fabricantes vêm ampliando suas linhas de produtos e oferecendo soluções direcionadas às diferentes aplicações. É o caso da Âncora Fixação, empresa do Âncora Group, que disponibiliza componentes específicos para drywall, steel frame e outros sistemas industrializados.

Entretanto, além da qualidade dos materiais, o cumprimento das normas técnicas e das orientações de instalação continua sendo indispensável para garantir resultados satisfatórios.

Qualificação profissional será decisiva para expansão

Apesar das oportunidades, o avanço da construção a seco também evidencia um desafio importante para a construção civil brasileira: a necessidade de profissionais capacitados para trabalhar com novas tecnologias.

A execução desses sistemas exige conhecimentos específicos sobre montagem, dimensionamento, tratamento de juntas, fixação e compatibilidade entre materiais.

Por isso, a formação de mão de obra especializada, aliada à atualização técnica de engenheiros, arquitetos e equipes de execução, tende a ganhar importância à medida que esses métodos se tornam mais presentes no mercado.

A modernização dos processos construtivos representa uma oportunidade para empresas que buscam aumentar a produtividade, otimizar recursos e incorporar soluções inovadoras aos seus projetos.

Mais do que uma alternativa aos métodos tradicionais, a construção a seco faz parte de uma transformação que exige planejamento, inovação e investimento em qualificação. O fortalecimento dessas práticas pode contribuir para uma construção civil brasileira mais competitiva, eficiente e preparada para as demandas dos próximos anos.


Fontes: Centro Brasileiro da Construção em Aço (CBCA), levantamento divulgado em 9 de setembro de 2026; informações e declarações de Rafael Bernardi, do Âncora Group, publicadas pela agência DINO, em reportagem veiculada no Valor Econômico em 19 de outubro de 2026.